Outeiro Secano em Lisboa

Abril 04 2015

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Paradoxalmente quando em Outeiro Seco parece estar a  atravessar-se uma crise de fé, ontem realizaram-se dois eventos de cariz religioso, e a razão porque dizemos que, parece haver uma crise de fé, é por causa do não cumprimento do primeiro mandamento da Santa Igreja que manda;

Ouvir missa inteira e santificar os domingos e dias santos de guarda.

Ora segundo testemunhos de alguns praticantes, actualmente em Outeiro Seco, tanto as missas como as novenas têm tido uma participação muito reduzida (eu pecador me confesso) embora isso não obste a que vá havendo uns resistentes que, insistem em manter essa chama acesa, por fé ou por tradição.

Foi nessa onda que ontem de manhã bem cedo, uns resistentes onde me incluí, fizeram a via sacra, simbolizando o percurso que Jesus Cristo percorreu do Pretório até ao Calvário. O nosso calvário senão único, é um dos mais belos da região, sendo tradição percorrê-lo neste dia de sexta-feira santa.

À tarde no Forte de S. Neutel representou-se o Acto da Paixão, que embora mantendo a mesma simbologia, a da Paixão de Cristo, a sua representação engloba a participação de mais personagens bíblicas, atraindo sempre muito público.

Por coincidência nesta sexta-feira santa decorria o luto pelo cineasta Manoel de Oliveira, uma figura ligada a esta representação porquanto, um dos seus primeiros filmes foi o Auto da Primavera, inspirado no Auto da Paixão representado em Curalha, quando esteve para ser o Auto da Paixão de Outeiro Seco a servir de mote ao filme.

A organização desta encenação esteve a cargo da AMA - Associação Mãos Amigas e pela Casa da Cultura, com a colaboração da Chaves Viva, contando para isso com a aderência de muitos outeiro secanos, uns representando papéis de maior outros de menor relevo, mas todos com a maior dedicação.

Mas apesar da representação abnegada de todos os participantes, é justo em minha opinião salientar as representações do João Santos no papel de Jesus Cristo e do Rafael Costa no papel de Acusador.

De negativo apenas a fraca adesão dos outeiro secanos, porquanto a maioria do público presente, era oriunda de fora da freguesia. Sabemos que o Acto da Paixão tinha sido representado ainda no ano passado, mas todos  os actores estavam a representar a aldeia, merecendo por isso um maior apoio.

Eu estive lá e gostei, por isso parabenizo os actores em geral, assim como os responsáveis da AMA - AssociaçãoMãos Amigas e da Casa da Cultura pela organização e sobretudo, por manter viva uma tradição já secular na nossa aldeia.

Em termos da presença de público a representação deste ano, talvez  tivesse sido prejudicada pela a coincidência de se representar no mesmo momento em Vilar de Perdizes, onde não se representava há vinte anos.

  Donde se questione se deve a representação do Acto da Paixão, ter um carácter tão regular.

 

Uma Boa Páscoa para todos.

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:36

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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