Outeiro Secano em Lisboa

Abril 05 2015

Visita pascal.jpg

 Fotografia retirada da Internet, mas não do compasso em Outeiro Seco

 

O sinal da aleluia era dado logo à meia noite, com o repenicar do sino, sem qualquer desconforto para os moradores mais próximos da igreja. Ao romper do dia eram os foguetes que estouravam , repetindo-se ao longo do dia à medida que o compasso mudava de bairro.

Mas o som mais aguardado era o Dlim! Dlim! Dlim! Dlim!, da campainha a soar pelas ruas aldeia, um sinal de que o séquito com o compasso, se aproximava.

Este era composto pela cruz de Cristo, a caldeirinha com a água benta, e o saco das oferendas. No séquito vinha o padre todo afogueirado, de subir e descer escadas, os garotos que o acompanhavam todos lambuzados pelas guloseimas que, iam comendo nas casas onde as havia, o sacristão que por ser o homem de confiança, era o portador do saco das oferendas, até porque algumas famílias aproveitavam esse dia para pagarem a premissa ou côngrua, uma espécie de taxa que todos os paroquianos têm o dever de pagar ao padre, pelos serviços prestados à comunidade.

Esta visita tinha já sido preparada pelas mulheres da casa, procurando as flores silvestres para ornamentarem a casa, desenterrando das arcas as melhores toalhas de linho para cobrirem a mesa onde colocavam o crucifixo, o prato com a oferta e os doces. Aos homens cabia-lhes escolher o melhor vinho, razão porque ao fim do dia muitos do séquito, já não subiam as escadas.

Era este o dia Páscoa da minha infância, bem diferente dos dias de hoje, pelo menos na nossa aldeia, porquanto, em algumas terras ainda mantêm viva a tradição, da visita pascal.

 

publicado por Nuno Santos às 09:54

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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