Outeiro Secano em Lisboa

Abril 25 2015

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O facto de ter feito há poucos dias sessenta anos, permite-me ter uma vivência do antes, durante e depois do 25 de abril, acrescido do facto de ter feito a minha vida repartida, entre Chaves e Lisboa. Desse modo, fui assistindo a todas às metamorfoses operadas após esse movimento social que foi o 25 de abril, quer na terra onde nasci em Outeiro Seco – Chaves, quer na minha terra de acolhimento em Lisboa.

Até ao 25 de abril o país era fechado ao mundo. Em Chaves embora fosse uma porta de saída, para muitos portugueses que, a salto procuravam melhorar as suas condições de vida no estrangeiro, as fronteiras abriam-se apenas no Lázaro e nos Santos.

Os empregos eram essencialmente na agricultura, a saúde resumia-se a um hospital precário, agora convertido num lar, o ensino a duas escolas secundárias. Não havia luz nem agua nem saneamento na maioria das casas, a mobilidade fazia-se com extrema dificuldade, tanto entre os principais centros como localmente por falta de estradas, e a nossa região produzia essencialmente soldados para a guerra em África e emigrantes para França.

O 25 de abril com o objectivo de implementar os três D, Democratizar, Descolonizar e Desenvolver trouxe ao país uma outra dinâmica, e durante alguns anos, foi possível sair do marasmo em que vivemos, durante várias décadas.

Deste modo, implementou-se a Democracia, dando a possibilidade de se escolher os governantes, Descolonizar, permitindo o aparecimento de novos países, mas sobretudo, conhecer algum Desenvolvimento, sendo visível um pouco por todo o país.

Porém, de há alguns anos para cá, temos sentido um retrocesso nessas conquistas. O moderno hospital que entretanto foi construído, está a ficar de novo um hospital periférico e sem valências, a emigração tem aumentado, só que desta vez em vez de saírem os analfabetos que apenas vendiam força de trabalho, saem os jovens formados que, podiam acrescentar valor ao país e o desenvolvimento tem decaído a passos largos, sendo necessário e urgente pensar num outro movimento social, chame-se 25 de abril, 1 de Maio ou outro dia qualquer, mas que retorne a este povo, a esperança nascida em 25 de abril.

publicado por Nuno Santos às 09:04

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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