Outeiro Secano em Lisboa

Abril 26 2015

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Após ter visto ontem algumas imagens da cerimónia das comemorações do 25 de abril, apetece-me citar o poema de José Barata Moura – Cravo vermelho ao peito a todos fica bem, Sobretudo faz jeito a certos filhos da mãe.

Quando se comemoram os quarenta e um anos da revolução, mas também, os quarenta anos das primeiras eleições livres em Portugal, avaliando pelas imagens de arquivo transmitidas nos telejornais, comprovando-se o estado de iliteracia política da maioria do povo, dá para questionar se essas eleições teriam sido livres, isto é, se as pessoas tinham consciência  desse seu acto político.

A mesma questão pode ainda ser formulada, para as eleições que se têm seguido de quatro em quatro anos, pese embora esse estado de iliteracia tenha diminuído, o certo é que ao longo destes quarenta anos de democracia, continuam a votar maioritariamente nos mesmos partidos, os chamados do “arco da governação”.

O absurdo é que durante as campanhas eleitorais, esses partidos fazem promessas que, sabem não poder cumprir. Depois de eleitos aliam-se ao poder económico, de tal forma que muitos dos seus governantes, alternam depois entre os cargos de ministros quando estão no governo, com altos cargos em empresas, quando terminam os seus mandatos, muitas vezes após terem feito contratos lesivos para o estado e  favoráveis a essas empresas, para onde já sabem que irão trabalhar.

Ora é toda essa promiscuidade que faz com que actualmente, haja um grande desinteresse pela política e pelas eleições, tanto mais porque actualmente a maioria das decisões políticas, já nem são tomadas internamente, veja-se o caso da Grécia, mas em Bruxelas.

 E como alguém dizia ontem, agora elegem-se feitores para implementar as medidas impostas do exterior, ora sendo assim, o mais curial seria votarmos para eleger não um governo que não nos governa, mas  antes para a escolha de um presidente para a Europa, porque esse é quem nos governa.

A propósito de presidente, sabe-se que o nosso presidente Cavaco Silva, vai em breve em mais uma viagem de negócios, desta feita à Noruega, para aumentar as trocas comerciais nas pescas e outros negócios do mar. Justamente a mesma pessoa que, quando foi primeiro-ministro, contribuiu para o desmantelamento da nossa frota pesqueira, enfim contradições da tal democracia em que vivemos.

publicado por Nuno Santos às 09:35

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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