Outeiro Secano em Lisboa

Março 07 2017

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Quando a RTP nasceu em 7 de março de 1957, eu já tinha quase dois anos, contudo só entraria no meu quotidiano, no início da década de setenta, porque nesse tempo não havia eletricidade em Outeiro Seco, onde só chegou em 1970. Curiosamente houve dois outeiro secanos ligados aos primórdios da RTP. O primeiro foi o Dr. Luís Montalvão, fazendo  parte dos seus quadros superiores, logo na fundação.

Pouco depois e por sua influência, o Joaquim Ferrador trabalhou na RTP como assistente, antes de enveredar pela contabilidade. Em seguida o filho do Dr. Luís Montalvão, também com o mesmo nome, foi o produtor entre outros programas, do célebre 1-2-3 apresentado pelo Carlos Cruz. Atualmente Outeiro Seco está representado, pelo Vasco Rio Ferreira.

Por sua vez a que nascera em 1935, mas porque funcionava a pilhas, chegou mais cedo à nossa aldeia e a nossa casa, logo nos finais da década de cinquenta, tinha eu uns cinco anos. A Emissora Nacional porque era a estação com melhor sintonia na nossa região, ficou desde esse tempo como a minha minha rádio preferida, continuando agora com a Antena 1, pese embora, não deixe de ouvir outros programas noutras emissoras, uns ocasionalmente outros como seguidor habitual.

Mas voltando à RTP, recorda-me que quando havia grandes eventos, do tipo festival da canção ou o 13 de maio em Fátima, nomeadamente depois do Sr. Padre João Sanches ter iniciado a organização das excursões a Fátima, as quais não se limitavam a ser meras peregrinações, porquanto, essas excursões demoravam quase oito dias, sendo obrigatório visitarem a Lisboa e outras cidades do litoral.

Por essa altura muitos outeiro secanos enchiam literalmente a casa do Sr. Francisco Juca, pai do meu amigo Taró, situada na então Estrada de Outeiro Seco e a última a ter eletricidade, pese embora pertencesse à nossa freguesia.

O Tio Juca e a D. Natércia com toda a simpatia, abriam a sua casa aqueles que, queriam ver a cerimónia e na esperança de verem alguns dos seus familiares, em Fátima. Curiosamente havia quase sempre alguém, que, lhe parecia ter visto sicrano ou beltrano.

Claro que ao longo destes anos da vida da televisão, eu guardo uma infinidade de recordações, tanto de programas como de reportagens, até porque eu próprio já tive, como se costuma dizer, o meu minuto de fama, ao ter sido entrevistado pela RTP, em três situações diferentes.   

Mas o meu episódio mais marcante com a televisão, não se passou em casa do meu amigo Taró, mas em Chaves no Café Geraldes. Aconteceu nos primeiros anos em que o Joaquim Agostinho começou a correr na Volta à França e a RTP transmitia parte do final das etapas. Era a época dos exames escolares, e eu tinha de fazer o exame de Geografia.

Embora o período coincidisse com o maior aperto das tarefas agrícolas, com o pretexto de me preparar melhor para o meu exame, eu tinha a permissão dos meus pais para ir para Chaves, todas as tardes. Só que em vez de ir para a Escola, ia para o Café Geraldes assistir à chegada do Joaquim Agostinho.

No dia em que resolvi ir à Escola fazer o ponto da situação, a minha chamada para o exame tinha sido no dia anterior, de modo que chumbei por falta de comparência e tive de repetir o ano. Os meus pais nunca souberam a razão do meu chumbo, mas os culpados foram o Joaquim Agostinho e a RTP. Mas em face dos bons serviços prestados ao longo destes sessenta anos, está perdoada, desejando-lhe a continuação de muito sucesso.

 

publicado por Nuno Santos às 18:01

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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