Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 12 2018

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Embora seja mais popular a expressão “Meu querido mês de agosto” para nós outeiro secanos, o nosso mês querido é o setembro, porquanto, é o mês da realização da festa da Sra da Azinheira, (8 de setembro) aquela a quem todos recorremos nos momentos de aflição, independente da nossa maior ou menor intensidade de fé religiosa.

Ainda em setembro (29) realiza-se o São Miguel, mas, apesar de ser o padroeiro da aldeia e estar bem cotado na hierarquia da igreja, pois segundo os dogmas é o comandante supremo das tropas celestes, o facto é que, esta festa não tem a importância da festa da Sra da Azinheira, tendo como orçamento, as sobras da primeira.

Depois do que se passou este ano, em que a realização da festa esteve em risco, é urgente fazer-se uma reflexão quanto ao seu modelo de organização.

Ao longo dos anos tem sido prática, a festa ser organizada por bairros, nomeando-se as comissões de forma sequencial pelos seus moradores, só que como aconteceu neste ano, este modelo está a tornar-se cada vez mais difícil de manter, por variadíssimas razões.

  • A desertificação e o envelhecimento dos seus residentes.
  • A cada vez maior falta de bairrismo e sentido de comunidade.
  • A falta de harmonia entre os vizinhos.
  • Por fim, porque em alguns dos bairros, os seus atuais moradores não são naturais da aldeia, nem nunca se integraram na sua vida social. Residem na aldeia por causa da nossa proximidade com a cidade, onde exercem as suas atividades, fazendo da aldeia apenas o seu dormitório.

Eu sou partidário de dois modelos organizativos.

O primeiro modelo que defendo, foi adotado este ano, quando, perante a eminência da festa ficar enterrada, um grupo de outeiro secanos dinâmicos constitui-se numa comissão, e apenas num mês, organizando uma festa com grande brilhantismo, mantendo não só a tradição, como na melhor festa da região.

O segundo modelo e na ausência do primeiro, defendo que a organização das festas deveria ser uma responsabilidade da Junta de Freguesia, porquanto, é um órgão eleito pelo povo e como é sabido, na maioria das localidades do país, cabe às autarquias a organização das festas da terra.

Mas não é só o modelo organizativo que em minha opinião merece uma reflexão, o seu programa deve ser também remodelado.

Desde logo a procissão das velas do dia 7 que, anualmente vem captando cada vez mais aderentes, deveria ser apenas uma procissão de romagem ao cemitério. Assim teríamos apenas o reencontro dos que regressam com aqueles que já partiram, excluindo-se desse dia a missa e o sermão, uma vez que essa prática religiosa se repete no dia 8.

Desta feita, acabavam os recados que o senhor padre faz todos anos de microfone aberto, àqueles que não sendo praticantes, aproveitam a ocasião e o local para socializar. Porque há que ter consciência que não temos todos a mesma visão sobre a festa da Sra da Azinheira.

Se para muitos ela representa um ato religioso, para outros é apenas um momento de lazer. Basta ver os milhares de pessoas que nos visitam à noite. Se cada um depositasse um euro no prato, aliviava em muito as preocupações dos mordomos na angariação das receitas.  

Quanto ao dia 8 confesso que é para mim uma grande frustração ver aquele recinto vazio durante a tarde. Este ano por razões especiais, só lá pude ir no fim da tarde, mas acho que seria importante reformular a programação da festa nesse período.

A minha proposta é a seguinte: No dia 8 de manhã realizar-se-ia apenas a alvorada e a arruada pelas ruas da aldeia, seguindo-se depois os preparativos e o almoço. À tarde pelas três ou três e meia, realizava-se a missa e a procissão, terminando a festa com o habitual do arraial.   

Na festa deste ano tive vários momentos de emoção, porque revi amigos não residentes como eu, mas porque em termos de saúde estão numa fase da sua vida muito complicada, e segundo os seus familiares, terão ido à festa numa espécie de despedida da terra que os viu nascer, assim como dos amigos e das suas tradições.

Foi o caso de Manuel Benedito, com quem tenho uma dívida de gratidão porque foi ele o meu guia na primeira vez que fui para Lisboa, e o Agostinho Martinho que segundo o comentário do seu filho no penúltimo post do meu blog exprimiu esse mesmo sentimento.

Outros há como o Vasco Garcia em São Paulo e o Aurélio Dias em Lisboa, que, por razões de saúde estão impedidos de viverem este dia presencialmente, ainda que saibamos que o vivem com muito sentimento e saudade, para eles um grande abraço de amizade.

Claro que há muitos outros secanos que, também gostariam de estar presentes, mas razões pessoais e profissionais assim como o facto da festa se realizar em dia fixo, impedem-nos de estar presentes. O facto de a festa neste ano ter caído num sábado, tornou-se mais favorável para uma deslocação, em especial àqueles que vivem no país.

Como outeiro secano foi um enorme orgulho ter participado mais uma vez na festa da Sra da Azinheira, tanto mais que tive o privilégio de ter a família reunida, isto é o meu filho, nora e neta, porquanto, o meu filho sendo residente no estrangeiro, programou as férias de molde a poder estar na festa, uma situação que provavelmente jamais acontecerá, quando a minha neta iniciar o seu percurso escolar.

Os meus parabéns aos bravos mordomos que, em tão curto espaço de tempo montaram a festa, e com tal brilhantismo que continua a ser a melhor festa da região, independente de não ser no mês de agosto, o mês em que a região tem um exponencial aumento demográfico, causado pelos emigrantes.  

Os parabéns portanto para o Artur Jorge Dias, Antero Carreira, Gonçalo Félix, Henrique Assunção, José Carlos Costa, Paulo Batista, Sandro Dias, e Ana Melo restando-me lançar-lhes o repto para que continuem esta missão, pelo menos por um período de mais dois anos, sinal de que o futuro da festa da Sra da Azinheira estará assegurado.  

    

 

 

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:19

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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