Outeiro Secano em Lisboa

Maio 05 2013

 

 

Chamam-se homógrafas às palavras que se escrevem da mesma maneira, mas têm um sentido diferente. Por exemplo, o DEO é um jogador brasileiro de futsal que, joga no Sporting há mais de dez anos.
Mas desde a última sexta-feira, os portugueses ficaram a conhecer um outro DEO, o Documento de Estratégia Orçamental, cuja importância e relevância nas nossas vidas, se tornou bem mais importante que os golos do DEO, e costumam ser muitos os que marca pelo Sporting, tendo contribuído para a conquista de alguns títulos nacionais, numa das poucas modalidades em que o Sporting ainda é campeão nacional.
O DEO apresentado na última sexta-feira pelo primeiro-ministro, pôs o país em convulsão, com críticas vindas da esquerda e da direita. Curiosamente as mais contundentes até vieram de ex-dirigentes do PSD, como a Dra. Manuela Ferreira Leite ou o Dr. Luís Marques Mendes, dizendo este que o DEO, era uma bomba social.
Com efeito estas novas medidas são uma bomba social, em especial para os funcionários públicos e para os pensionistas, as maiores vítimas destas medidas, mas no fundo toca a todos, pois prevê-se que o seu efeito se prolongue durante mais vinte anos, até que a nossa dívida baixe até 60% do PIB.
Assim vamos ter mais austeridade, em cima da austeridade que já temos, e porque a austeridade é transversal a toda a economia, logo o desemprego irá afetar não só os funcionários públicos, mas todos os portugueses em geral. O mais lamentável é que temos um governo forte com os fracos e fraco com os fortes, de modo que são sempre os mesmos a pagar a factura.
São os trabalhadores por conta de outrem, mas também os pensionistas que ao longo dos anos de vida activa, mantiveram um contrato social como estado, e mediante esse contrato fizeram os seus descontos para depois usufruírem na sua velhice.
Esse contrato é agora rasgado pelo Estado, em nome do pagamento de uma factura, para a qual não contribuíram, mas são eles que têm de a pagar. Os maiores penalizados são sem sombra de dúvida os funcionários públicos, os quais veem agora acabar uma das poucas garantias que possuíam, a da segurança do emprego, porque a nova lei da mobilidade, é para eles uma nova lei de despedimento.
Quanto aos pensionistas a medida não se repercute apenas nas grandes pensões, tipo Filipe Pinhal ex- administrador do BCP, o qual recebe 70.000 € mensais, esta medida aplica-se aos pensionistas com mais de 600 €. Enfim o DEO é uma coisa péssima para todos os portugueses. Já os sportinguistas esperam que o seu DEO, ajude a conquistar mais um título, a ver se nos ajuda a levantar o astral porque este ano, tem andado muito em baixo e em linha com a política do país. 
 
publicado por Nuno Santos às 09:41

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Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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