Outeiro Secano em Lisboa

Junho 19 2013

 

 

 

Após o discurso do presidente da república no dia de Portugal e das Comunidades, a agricultura ficou na ordem do dia, embora não fosse por isso que ontem, uma equipa da Nucase visitou a Herdade das Romeiras, situada no Alentejo, por sinal bem próxima de Elvas, onde o presidente proferiu o seu discurso.

A visita ficou a dever-se à gentileza do Eng.º Guerreiro dos Santos, administrador desta empresa agrícola, cliente da Nucase há quase vinte anos. Da comitiva faziam parte além do Eng.º Guerreiro dos Santos, eu e a minha colega e conterrânea Idalina Carvalho, mais o Dr. Rafael, actual ROC Revisor Oficial de Contas.

Deste modo, tivemos o privilégio de visitar in-loco, o que de melhor se faz em matéria de agricultura, sobretudo, em áreas como; a pecuária a silvicultura e viticultura.

Devido à dimensão da herdade, a sua visita só se torna possível de viatura, mas ainda que os seus trilhos nos pareçam um labirinto, contornando as diversas culturas, milho, trigo, cevada, pastagens, vinha, montado etc., o tio Isidoro, com os seus 78 anos de idade e 33 anos de efectividade nesta herdade, conduziu o jipe com o mesmo à vontade, como nós conduzimos uma viatura numa auto-estrada. 

A Herdade das Romeiras ocupa uma área de dois mil e duzentos hectares. Para quem não está muito familiarizado com as medidas agrárias, cada hectare corresponde a um campo de futebol, logo estamos perante dois mil e duzentos campos de futebol, todos seguidos.

A sua dimensão é tal que a sua área estende-se por duas freguesias e dois concelhos, a freguesia do Cano pertence ao concelho de Sousel, e a de Santa Vitória do Ameixial, concelho de Estremoz.

De salientar que foi nesta freguesia e presumidamente nos terrenos desta herdade que, em 8 de Junho de 1663, se travou a batalha do Ameixial, estando ali o obelisco, para celebrar o feito.

Nesta batalha os espanhóis sofreram uma pesadíssima derrota, contando com cerca de treze mil baixas, num exército de vinte e seis mil efectivos, metade deles foram mortos, feridos ou feitos prisioneiros.

O S. Pedro é que não foi muito solidário, porque embora chovesse muito os aguaceiros que caíram, impediram-nos de assistir à actividade de vinte e dois machados que, manejados por outros tantos artistas da função, extrairiam a cortiça dos sobreiros. È sabido que a cortiça é extraída de nove em nove anos, mas a extensão desta herdade aliada a sua boa gestao, já conseguem extrair cortiça todos os anos.

Esta Herdade foi outrora um dos maiores produtores da Adega de Borba, hoje os seus cerca de cem hectares de vinha, contribuem para fazer o excelente “Marquês de Borba” produzido pela Adega de João Portugal Ramos, da qual são sócios com uma participação minoritária.

Foi graças a essa parceria, assim como aos conhecimentos privilegiados do Eng.º Guerreiro dos Santos, que visitamos também esta adega, assim como as suas vinhas, mesmo nas fraldas do castelo de Estremoz.

Esta adega está tambem convertida numa unidade de enoturismo, por isso além de nós havia outros visitantes, nomeadamente um grupo de alemães que além de coleccionarem os aromas de um bom vinho, coleccionam também viaturas antigas, conforme se pode ver nas imagens que retractei.

Para quem gosta de conhecer o país real, este pode ser mais um roteiro de viagem, constatando que Portugal, é bem mais do que os últimos cem metros de areia, ao longo do litoral ou ao sul no Algarve.

publicado por Nuno Santos às 16:28

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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