Outeiro Secano em Lisboa

Julho 08 2013

 

Hoje é dia 8 de Julho, um dia histórico para a cidade de Chaves e para o país. Histórico porque foi há 101 anos que, se travou a última batalha militar no nosso país, se considerarmos como batalha, dois exércitos em confronto, dispostos a matar e morrer, cada um pelo seu ideal.

Ainda que isso seja desvalorizado por alguns, a verdade e que isso  aconteceu em Chaves, mais propriamente na Cocanha, em terrenos que outrora pertenciam à nossa freguesia, onde o exército de Paiva Couceiro defensor da causa monárquica, foi derrotado pelos soldados fiéis à causa republicana.

Desconheço o que antes acontecia em Chaves, para comemorar esta efeméride, mas tanto quanto me lembro, nunca se deu muita importância ao acto, pese embora se lhe tenha dedicado o dia do feriado municipal.

Em Lisboa este facto foi reconhecido, homenageando a nossa cidade com o seu nome numa avenida, numa das zonas mais nobres da cidade.

Eu sei que vivemos numa época de austeridade, mas bolas, aquilo que vemos todos os fins-de-semana, noutros concelhos com bem menor dimensão que o nosso, com programas mediatizados nas várias estações de televisão, não merecia dos responsáveis da cidade, uma outra preocupação! Até porque todos sabemos da importância que estas iniciativas têm, para a promoção turística.

De há uns anos a esta parte o programa das festas consta um concerto pelas bandas filarmónicas e grupos folclóricos do concelho, como contrapartida do magro subsídio que recebem anualmente. Acontece que apesar da reconversão do Pólis, o qual trouxe à zona ribeirinha do Tâmega, uma maior atractividade, os concertos são efectuados na frigideira em que transformaram o Largo General Silveira, e que em dias de canícula como aconteceu ontem, se torna impossível estar, levando inclusive a que o concerto da Banda de Outeiro Seco fosse cancelado.

Esperamos que essa contenção não fosse para ser gasta dentro em breve, em cartazes e outdoors.  

 

publicado por Nuno Santos às 07:43

"...em Julho, também os dias inquietos tomaram conta da aldeia, quando uma coluna de paivantes, vinda de Feces de Abaixo, quis atacar por ali a República que acabava de tomar posse de um estado maltrapilho e que mal conhecia ainda os cantos à casa da governação. Porém, o romantismo voluntarista da bravata monárquica não contava com a firmeza republicana dos outeiro-secanos, que os impediram de progredir até à desguardada vila de Chaves, deitando mesmo a mão ao mais garboso invasor, o nobre D. João de Almeida, que se apressaram a entregar à custódia dos militares de Infantaria 19.
Enquanto decorriam as celebrações pela vitória e a multidão de basbaques se deixava impressionar pela embigodada altivez do prisioneiro de guerra, um cavalo mais espantadiço, montada bélica de um militar republicano, escoicinhou as costelas a um pobre civil, certamente de indefinidas convicções políticas, que apenas se deixara arrastar pelo cortejo, em patética celebração. E foi quanto bastou para que a criatura não desse mais acordo, tendo-se-lhe desprendido a alma daquele corpo que ainda não cumprira a vida toda. Bem sabemos nós o que costuma suceder a estas almas que deixam o corpo defunto e sem vida, antes do tempo que está escrito no fado de cada um – vagueiam erráticas, noites a fio, até que forçam asilo num outro corpo aberto e passam a assombrar o involuntário hospedeiro com pantomimas do Belzebu. Ainda por cima, a vítima dos coices parece que tinha deixado promessa por cumprir, ao milagreiro S. Caetano, que tem armada a sua tenda de milagres ali para a raia de Soutelinho, no requebro de um monte de abundosas águas, mas onde o nascente tarda e o poente se apressa. E, coincidência ou vingança da história, muito tempo depois, para pôr fim ao seu longo vaguear errático, não encontrou esta alma perdida melhor poiso de assombração que o corpo franzinado por fomes negras do mendigo Procópio que, em Outeiro Seco, costumava abrigar-se no forno da família Merceana."
Já que não há celebrações oficiais, amigo Nuno, celebremos nós as memórias com que pudémos reforçar a nossa cultura local.
hpombo a 8 de Julho de 2013 às 12:26


Bom dia, amigo Nuno.

Concordo em absoluto com aquilo que nos fazes notar nas palavras do teu post. Realmente, Chaves bem merecia comemorações do seu dia da Cidade à sua medida! Mas a "austeridade" (para alguns), fala mais alto. Valha-nos o amigo desta terra, Dr. Herculano Pombo, para nos ir lembrando os feitos históricos dos flavienses, ainda que seja neste cantinho.
Um abraço amigo.
Albertina a 9 de Julho de 2013 às 09:10

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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