Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 20 2013

 

 

Desde que no século XIX se fundou na rua Ivens, o Grémio Literário, o Chiado tornou-se num dos bairros mais emblemáticos de Lisboa. Essa popularidade ficou a dever-se em parte à sua evocação por escritores como Eça de Queirós, ali imortalizado com uma estátua, no Largo Barão de Quintela, mesmo em frente ao palacete onde ele imaginou, a Tragédia da Rua das Flores.

Situado entre a baixa pombalina e o Bairro Alto, este bairro é de passagem obrigatória, para quem quer conhecer Lisboa.

São muitos os locais de referência neste bairro, relacionados com a cultura. Desde logo, o Teatro de S. Carlos, o único teatro de ópera em Portugal, mas ainda o teatro S. Luís, o teatro da Trindade, e no actual edifício Chiado Terrace, onde outrora funcionou a Casa de Trás os Montes, de tão boa memória para mim, funcionou também o teatro Gynasium, onde foram representadas as primeiras revistas à Portuguesa.

Por coincidência hoje vou ao Politeama, precisamente ver o espectáculo do La Féria, designado Revista à Portuguesa.

Lembrei-me de escrever este post, porque hoje por razões profissionais tive de ir ao Chiado, onde vivi no período de 1974 a 1978 e onde regresso frequentemente, eu e milhares de turistas, de tal modo que, a cadeira ao lado da estátua do Fernando Pessoa, situada na esplanada da Brasileira, tornou-se o lugar mais procurado para ser fotografado pelos turistas.

Mas não é só o património teatral que prolifera no bairro do Chiado, existe ainda o museu do Chiado e as igrejas dos Mártires, Sra. da Encarnação a da Senhora do Loreto e as ruínas do convento Carmo, tudo isto num raio de quinhentos metros.

É sempre bom regressar a um local, onde se foi feliz.

publicado por Nuno Santos às 19:27

Uma curiosidade.
Aqui há dias, passava já da meia noite, circulava eu por esta zona, quando reparei numa cena insólita na esplanada ao lado da da Brasileira, a esplanada da pastelaria Bénard, famosa pelos seus croissants e variedade de chás.
Então:
A esplanada tem naturalmente várias mesas e cadeiras metálicas cobertas por largos chapéus. Àquela hora, hora de recolher, deparo-me com uma mesa única e solitária com duas moças sentadas em conversa animada, ainda acompanhadas com uma garrafa de vinho tinto por acabar e dois copos ainda meio cheios, sinónimo de que estariam ali à conversa, sei lá, talvez por mais uma meia hora.
O insólito tinha a ver exatamente com a sua tranquilidade, mesmo sem mesas e sem ninguém em redor com os camareiros atarefados a arrumar a mobília para fechar o serviço. Qual quê ! Elas mantinham-se indiferentes e em conversa como que a noite fosse ainda criança.
Se fosse connosco, comigo e contigo, talvez nos tivessemos apressado a escorropichar os copos e libertar a mesa.
Feitios ?! J.
Júlio a 22 de Setembro de 2013 às 14:26

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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