Outeiro Secano em Lisboa

Outubro 04 2013

 

Apesar da produção do vinho, ser atualmente uma atividade emergente no país e responsável por cerca de 800 milhões de euros nas nossas exportações, com mercados diferenciados como os países Escandinavos, Rússia, Estados Unidos ou Angola, na nossa região, salvo raríssimas exceções de duas ou três explorações vitivinícolas recém criadas, a produção está em franco declínio, assentando ainda muito em processos e costumes ancestrais.

De tal forma que nessas regiões de produção intensiva, as vindimas iniciaram-se já no início de Setembro, na nossa região estão a iniciar-se agora quase um mês depois. 

São vários os facores que propiciam esta estagnação da nossa produção. Desde logo a Adega Cooperativa, que por pressuposto, deveria ser um potenciador de desenvolvimento desta atividade, apesar de continuar aberta e a receber as uvas dos seus associados, não tem pago as últimas colheitas.

Por outro lado  a adoção de outros hábitos de bebida e sobretudo, a desertificação da região, cujos habitantes devido ao seu envelhecimento deixam não só de trabalhar as vinhas, mas também de beber, por causa da medicação a que estão obrigados a tomar,  fazendo diminuir drasticamente a procura do vinho.

Deste modo, consta-se que há produtores que nem vão fazer a vindima, porquanto têm as suas adegas cheias da produção do ano anterior, e como a Adega Cooperativa não lhes paga, não querem ter um gasto com a vindima, sabendo que não têm depois o retorno desse investimento, deixando por isso as uvas na vinha.

Não foi o caso da família Pispalhas que, em homenagem ao seu sogro António, continuam a trabalhar a vinha do Tabolado. Ontem quinta-feira vindimou-se apenas o branco, hoje sexta-feira o restante.

Este ano a vindima esteve ameaçada não tanto pelo trato, porque foi igual ao dos anos anteriores, mas por causa do incêndio do passado dia 24 de Agosto, o qual rondou a vinha sem que felizmente causasse danos maiores, por causa da orientação do vento.

Feita a vindima, resta agora deixar o lagar fazer o seu processo de fermentação, o qual acabará depois nas pipas. Depois lá para a Páscoa se fará a avaliação, se valeu o não a pena este trabalho e esta semana de férias.

publicado por Nuno Santos às 15:09

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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