Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 25 2013
 
 

 

Existem vários estudos para designar um líder que, nem sempre é o chefe, mas aquele que, é capaz de influenciar e motivar um grupo, de forma positiva. E bem se poderá dizer que o Aurélio Dias, mais um outeiro secano em Lisboa, nos finais da década de cinquenta, meados da década de sessenta, liderou a juventude do seu tempo, em especial a mais ligada à prática desportiva.

Filho de António Dias e Maria André, duas figuras carismáticas da aldeia, o tio Dias ficou na nossa memória colectiva, por ter levado de Lisboa, onde cumpriu serviço militar no longínquo ano de 1927, a primeira bola de cautchú para a aldeia. Antes disso jogava-se com bolas de trapo e bexigas de porco.

A tia Maria André que, faleceu apenas dois anos antes, de completar os 100 anos, ficou imortalizada na capa do livro “Crescem pães pelos outeiros” do Herculano Pombo e do Altino Rio, como um símbolo da mulher trabalhadora.

A vida do Aurélio Dias daria ela própria uma obra literária, tivesse eu engenho e arte para a escrever. Com passagens por Outeiro Seco, Chaves, Guiné Bissau, Angola e Lisboa, onde está radicado e passou a maior parte da sua vida.

Cingindo-nos apenas à sua juventude, o Aurélio liderou uma equipa de futebol, onde pontificavam elementos mais velhos do que ele, como António Roxo (meu pai), ou mais credenciados em termos futebolísticos, como o Américo Novais ou o seu primo Celestino André, que jogavam na formação do Grupo Desportivo de Chaves, o Américo  foi contemporâneo do malogrado Pavão.

Ficou a dever-se ao Aurélio, a compra do segundo equipamento desportivo, traduzindo-se essa compra, numa autêntica epopeia.  Ele e mais dois elementos da equipa, o Américo Novais e o Zé da São, encomendaram o equipamento, a uma casa de material desportivo de Lisboa “Casa Sórios”, sem antes terem assegurado o dinheiro, para levantar a encomenda.  

Resolvido esse constrangimento, as camisolas deram muitas tardes de glória à nossa equipa, e passaram ainda por várias gerações de jogdores. O Aurélio foi ainda o responsável por jovens jogadores da cidade, entre os quais o Rendeiro, Lisboa, e creio que até o próprio Pavão, apesar de ido muito novo para o Porto, terem representado a nossa terra, em jogos importantes contra equipas como, Vilarelho da Raia e Feces de Abajo, ou Loivos.

Depois da grafonola do Sr. José Merceana, foi ainda o Aurélio quem realizou o primeiro baile privado na aldeia, no pátio do Sr. Eurico (meu avô) onde agora vive o Zé Serra, cuja casa  tinha na época outra disposição. O baile serviu para comemorar a sua passagem de ano, na Escola Comercial, mas ao baile, só tiveram acesso os convidados.

Foi o percussor do primeiro gira-discos na aldeia, trouxe-o quando regressou do cumprimento do serviço militar na Guiné. Estava em voga o tema do Roberto Carlos “Eu quero que você vá para o Inferno” e a carreira do António Mourão estava no seu auge, com “Oh tempo volta para trás”. Não é isso que pretendemos que, o tempo volte para trás, apesar estarmos a perder qualidade de vida, felizmente não regredimos ainda a esse tempo da década de sessenta, nem esperamos que tal não aconteça, porque apesar da nostalgia da nossa juventude, as privações pelas quais passamos nesse tempo, são incomparáveis com as do tempo actual. Em algumas coisas, o nosso amigo Aurélio bem gostaria que o tempo voltasse para trás, nomeadamente em termos de saúde, e também desportivamente, porque o seu Sporting desse tempo, tinha bem mais vitórias do que agora.

 

publicado por Nuno Santos às 17:53

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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