Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 25 2014

Os nuestros hermanos galegos dizem que, “no hay brujas, pero que las hay, hay!” e esta casa de artesanato em Lugo, é uma prova de que o fenómeno das bruxas ainda que de uma forma simbólica, é um negócio emergente, tanto na Galiza como no norte do país, em especial no concelho de Montalegre.

Tudo começou em Vilar de Perdizes, com a organização pelo Padre Fontes do Congresso de Medicina Tradicional e das noites de sextas feiras treze. Entretanto a câmara de Montalegre, conseguiu deslocalizar o evento das sextas feiras treze para a vila e sede do concelho, tornando-o num caso de sucesso turístico, semelhante às feiras do fumeiro.

Um dos momentos altos das noites das sextas-feiras treze é a queimada, que mais uma vez nos reporta à Galiza, sendo denominada como a queimada galega. Trata-se de um licor feito de aguardente, açúcar e casca de limão ou laranja.

Associado à queimada está o Esconjuro, um texto escrito por um jornalista galego chamado Mariano Marcos Abalo em 1967 e que o padre Fontes, enquanto a aguardente ardia no pote, recitava como ninguém.

Eis o texto desse Esconjuro:



 

Mochos, corujas, sapos e bruxas.
Demônios,
trasgos e diabos,
espíritos das enevoadas veigas.
Corvos
píntigas, e meigas:
feitiços das mezinheiras.
Podres canhotas furadas,
lar dos vermes e alimárias.
Fogo das 
Santas Companhas,
mau-olhado
, negros feitiços,
cheiro dos mortos, trovões e raios
.
Uivar do cão, pregão da morte;
focinho do sátiro e pé do coelho.
Pecadora língua da má mulher
casada com um homem velho.
Averno de Satã e Belzebu,
fogo dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernais cus,
mugido do mar embravecido.
Barriga inútil da mulher solteira,
falar dos gatos que andam à janeira,
guedelha porca da cabra mal parida.
Com este fole levantarei
as chamas deste fogo
que assemelha o do Inferno,
e fugirão as bruxas
a cavalo das suas vassoiras,
indo se banhar na praia
das areias gordas.
Ouvi, ouvi! os rugidos
que dão as que não podem
deixar de se queimar na aguardente
ficando assim purificadas.
E quando esta beberagem
baixe pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males
da nossa alma e de feitiço todo.
Forças do ar, terra, mar e fogo,
a vós faço esta chamada:
se é verdade que tendes mais poder
que a humanas pessoas,
aqui e agora, fazei que os espíritos
dos amigos que estão fora,
participem connosco desta Queimada.

 

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 07:03

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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