Outeiro Secano em Lisboa

Dezembro 13 2014

Matança do porco.jpeg

 

Embora a matança do porco seja uma prática condenada por alguns cidadãos organizados e intitulados como amigos e defensores dos animais, entre os quais os da “Plataforma Viver”, que dizem que, a matança é um acto bárbaro indigno do século XXI, ela está associada a uma tradição secular, praticada de norte ao sul do país e até mesmo nas ilhas.

Noutros tempos a matança do porco tinha um grande peso sócio económico na vida das populações rurais, pois era a base do seu sustento alimentar das famílias durante o ano. Atualmente o porco continuar a ter grande influência económica, quer na indústria de carnes, mas também como produção artesanal num âmbito mais regional, sendo exemplo disso as diversas feiras de fumeiro que, se realizam um pouco por todo o país, entre os meses de janeiro e fevereiro.

Em casa dos meus pais houve sempre a matança do porco, era ele próprio quem se encarregava dessa função, um jeito herdado de seu pai e agora transmitido ao meu irmão Manuel, que herdou o jeito e as facas.

A época das matanças ocorre durante o mês de Dezembro, aproveitando-se as geadas para se curarem as carnes, costumando ser esse acontecimento uma festa. Convida-se a família e alguns amigos, e ainda que a tarefa não seja propriamente lúdica, porquanto, é preciso alguma perícia associada à força de braços para se segurar o porco, a fim do matão espetar a faca em segurança.

Na matança também entram as mulheres para apararem o sangue do porco, com que se hão-de fazer os chouriços. As crianças também  participam neste ritual, segurando o rabo do porco, ficando todas satisfeitos quando os adultos lhes dizem quão importante foi a sua acção, senão o porco teria fugido.

Às crianças está ainda reservada outra missão incumbida pelos adultos mais extrovertidos, a de irem buscar as pedras para lavar o porco. Claro que é uma necessidade supérflua, mas indicam sempre a casa de um vizinho mais distante. Na maioria das vezes os vizinhos conhecedores da praxe, informam-nos de que caíram num logro, outros entram na brincadeira e metem-lhes umas pedras num saco, e lá carregando os vêm os jovens todos contentes pelo cumprimento da missão.

Embora haja de facto legislação que regula as matanças dos porcos, felizmente que a ASAE não tem sido exigente no seu cumprimento, por isso em Outeiro Seco como noutras terras, continua-se a fazer matanças do porco, embora em número bem menor do que antes, porque a população tem diminuído outros porque são sugestionados pelos efeitos que a carne de porco tem no colesterol.

Mas todos vamos perdoando o mal que faz, pelo bem que sabe. Boas matanças.

 

publicado por Nuno Santos às 10:22

dias de festa dias felizes
mas bom mesmo era no dia seguinte com umas feveras na brasa
abraço
vasco sobreira garcia a 13 de Dezembro de 2014 às 23:55

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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