Outeiro Secano em Lisboa

Março 05 2015

Centenárias.jpg

 Foto Blog Outeiro Seco Tradição e Modernidade

 

Calcula-se que em Portugal existam mais de cento e quarenta pessoas centenárias vivas, na sua maioria mulheres, sendo duas delas as nossas conterrâneas, Maria da Costa e Amélia Ferreira, mais conhecidas por tia Bia e tia Amélia, ambas a caminho dos 103 anos.

Nascidas em 1912 dois anos depois da implantação da república, tinham dois anos quando rebentou a primeira guerra mundial, trinta e três anos na segunda grande guerra e sessenta e dois anos no vinte e cinco de abril.

Embora estas datas sejam marcantes na história do nosso país, pouco dizem a estas nossas conterrâneas, na época com outras preocupações, senão a luta pela sua sobrevivência, pelo menos a de assegurar a subsistência das suas famílias.

Com a tia Bia é possível dialogar com alguma assertividade, porque preserva ainda alguma lucidez, apenas perdeu uma boa parte da sua capacidade auditiva e de visão, mantendo todavia uma boa locomoção deslocando-se dentro de casa encostada aos objectos, mas por causa da sua falta de vista e não por falta de pernas.

A tia Bia não fala dos acontecimentos que marcaram o país, mas fala da actividade que exerceu durante a maior parte da sua vida, a actividade de leiteira, distribuindo o leite pela cidade de porta a porta, recordando-se do nome de muitas das suas freguesas, apesar da maioria delas já terem morrido.

Continua a morar na mesma casa onde sempre morou e onde criou os seus filhos, agora na companhia da sua filha Lucília, mas com alguma autonomia, pois come e veste-se sozinha.

Quanto à tia Amélia e até há uns dois anos, era ainda mais autónoma do que a tia Bia, por isso e apesar de ter vários filhos na aldeia, preferia morar sozinha na sua casa, mantendo os seus hábitos e costumes. Entretanto a sua saúde degradou-se de uma forma abrupta, retirando-lhe essa autonomia, vivendo por isso agora, em casa da sua filha Laurinda.

Embora tenha perdido quase todas as suas capacidades cognitivas, logo a tia Amélia que tinha tantas, herdadas da sua mãe Mafalda, como as rezas para os diversos males do corpo e da alma, os versos do Ramo, ou as modas populares do seu tempo de menina e moça.

A tia Amélia perdeu essas faculdades, mas não perdeu ainda a sua locomoção, antes pelo contrário, têm de estar sempre com um olho nela, de outra forma, quando vão a dar conta, lá vai ela rumo ao Papeiro, o local onde viveu a sua infância.

Como a nossa longevidade continua a aumentar, a ver vamos qual vai ser o próximo conterrâneo a atingir o centenário. Falta pouco para que o nosso amigo Manuel Torres atinja esse desiderato, esperamos que tal aconteça, e que o seu filho Vasco possa estar presente, na festa do centenário do seu pai.

publicado por Nuno Santos às 13:42

De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
mais sobre mim
Março 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
14

15
17
18
19
20

23
24
25
28

29
31


links
pesquisar
 
Visitantes
subscrever feeds
blogs SAPO