Outeiro Secano em Lisboa

Junho 12 2015

 

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 Sé da Guarda

O fim-de-semana passado há-de fazer parte das minhas memórias futuras, por serem tantas as peripécias vividas. Saindo bem cedo de casa no sábado, para irmos “No encalço dos judeus” pelo distrito da Guarda,  regressamos a casa mais cedo, sem termos cumprido os objectivos propostos.

Embora haja vestígios de judeus em quase todas as cidades fronteiriças com a vizinha Espanha, o distrito da Guarda talvez por ser o mais próximo de Toledo, onde no século XIV, se concentrava a maior comunidade judia da Europa, foi das cidades que mais judeus acolheu.

Após a unificação dos reinos de Castela e Aragão, fruto do casamento dos seus reis; D. Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os quais ficaram conhecidos como os reis católicos, estes com o apoio do Papa, expulsaram literalmente  os judeus do seu país, refugiando-se muitos deles em Portugal.

Ora como os judeus se dedicavam a actividades urbanas como comerciantes e artífices, acabaram por se fixar primordialmente nas cidades.

Passados mais de seis séculos, a cidade da Guarda preserva ainda, como um polo turístico, a judiaria, ou seja o bairro onde os judeus viveram. E apesar de muitas das casas estarem em estado de degradação, algumas foram restauradas, preservando a traça inicial.

Conforme o planeado fizemos uma visita guiada pelos pontos principais da cidade, sendo de realçar o serviço que, o departamento de turismo da Câmara da Guarda presta aos seus visitantes, disponibilizando guias turísticos aos grupos organizados, proporcionando-lhes assim conhecer não só a sua cidade, mas a conhecerem a importância que, os factos ali ocorridos tiveram de relevância, quer para a história da cidade, como do país.

Ora, como as boas práticas devem ser imitadas, aqui está uma boa medida que o turismo da nossa cidade deveria adoptar, dando a conhecer o papel que Chaves teve, em várias fases da nossa história.

Desse modo muitos visitantes ficariam a conhecer a importância da cidade no  tempo dos suevos e do Bispo Idácio, assim como na época da romanização, passando pela crise da independência de 1383-1385, em que esteve 18 anos sem reconhecer a nova dinastia portuguesa.

Ficariam a saber da sua participação na guerra peninsular, da passagem dos franceses por lá, quando da II invasão francesa, nas Guerras entre os Liberais e os Absolutistas, nomeadamente na revolta Cartista, a qual terminou com a assinatura da Convenção de Chaves, finalizando depois com a sua solidificação da República, em 8 de julho de 1912.

Era uma boa medida que eu gostaria de ver implementada em Chaves, para que os meus amigos quando visitam a nossa cidade, e me dizem que gostaram da cidade e da sua gastronomia, ficassem também a saber mais, da sua história.

Infelizmente pelas razões expostas nos posts anteriores, a nossa visita teve de terminar abruptamente, já não pudemos ir ver os judeus que, ainda residem em Belmonte, nem comprar as cerejas da Cova da Beira, porque regressamos a Lisboa de comboio, coisa que já não fazia há mais de trinta anos.

publicado por Nuno Santos às 14:10

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Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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