Outeiro Secano em Lisboa

Junho 27 2014
 

 

Já estamos no final do mês de Junho mas as cegadas, ainda não tiveram o seu início, porque tudo é composto de mudança e vivemos tempos  bem diferentes, de quando há pouco mais de  quatro décadas, as ceifas eram feitas manualmente, quando o centeio começava a correr à unha.

Isso acontecia pela última quinzena de junho e a aldeia era inundada por ranchos de segadores vindos da zona do Barroso, compostos por homens e mulheres que, munidos dos seus gadanhos, segavam o centeio e o trigo, sob um sol abrasador e à noite, ainda tinham ânimo para cantar as vivas à cozinheira.

Segava-se por essa altura porque o centeio antes de chegar à eira, tinha de passar por várias fases. Depois de ceifado era atado, enredado e emedado, logo, não podia estar demasiado seco, senão esbangava-se e ficava metade na terra.

Depois de alguns dias emedado nas terras onde acabava de secar, começavam as acarrejas. Para que os bois não fossem fustigados pelas moscas, esta tarefa iniciava-se de madrugada. Bem cedo os lavradores jungiam os bois aos carros, cujas chedas já tinham sido lubrificadas no dia anterior, com o sebo do borrego, morto para a segada.  

O soalho dos carros era coberto com liteiros para que não se perdesse pitada do grão, e porque muitas famílias já tinham as tulhas vazias, começavam a cozer com esse grão, apanhado nos liteiros nas acarrejas.

 Quando esse grão não era suficiente para completar a fornada, numa eira improvisada mascotavam-se alguns molhos, para se ter mais cedo o pão na mesa, muitas das vezes para se alimentar os malhadores, no dia da malhada.

Hoje tudo é diferente, o padeiro passa pelas ruas da ladeia tocando a buzina, as mulheres vêm ao carro comprar o pão, que é de todas as formas e feitios. O gosto é que eu duvido que, seja igual ao de antigamente, cozido nos fornos de lenha.

publicado por Nuno Santos às 07:30

De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
mais sobre mim
Junho 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
13
14

16
18
19
20

25
28



links
pesquisar
 
Visitantes
subscrever feeds
blogs SAPO