Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 09 2016

Sra da Azinheira.jpg

Foi por ela que Outeiro Seco esteve em festa e recebeu milhares de visitantes. Foi por ela que, muitos outeiro secanos atravessaram o oceano, outros vieram de outras terras distantes, onde diariamente labutam ganhando o pão do dia-a-dia, para lhes agradecer as graças recebidas durante o ano.

Viriam mais se a festa, em vez de ser uma quinta-feira, fosse num sábado ou num domingo? Essa é grande discussão que se trava em Outeiro Seco, há mais de um século. Até agora, tem prevalecido a tradição de se realizar a festa no dia do seu calendário religioso, ou seja no dia 8 de setembro, ainda que noutras terras, se tenha alterado essa tradição, tal como a própria igreja noutras datas, entre as quais o dia da mãe ou a Páscoa, a qual se celebra em dias móveis, consoante as luas do equinócio.

Além de que, a vida é dinâmica e Outeiro Seco, deixou de ser um meio rural, onde os seus habitantes que viviam sobretudo da agricultura passaram a viver de outras atividades, como os Serviços ou o Comércio.  

Contudo e apesar de a festa ser móvel no tocante aos dias da semana, ela continua a ser a rainha das festas da região, sobretudo o seu arraial, porque o programa da festa durante a tarde, carece em minha opinião de uma nova reprogramação.

Digo isto porque para mim é sempre um pouco constrangedor, face às expectativas criadas com a festa, ver o recinto vazio, apenas com algumas dezenas de pessoas à volta do coreto, mas claro, que a alteração a esta medida, deverá ser discutida e aprovada consensualmente.   

O balanço da festa é amplamente positivo. Desde logo, porque a festa tem vindo a ser enriquecida com a realização da “Festa do Reco”, realizada por uma comissão independente, agora sem coincidir com a realização da Procissão das Velas, tendo vindo a fortalecer-se em cada ano que passa, sendo por isso já muitos os não residentes que a procuram.

 De salientar ainda a forte presença de pessoas na procissão das velas, em muito maior número que, na tradicional procissão do dia festa. Muitas pessoas em especial os moradores de Santa Cruz que, antes da agregação com Santa Cruz – Trindade eram enterrados no nosso cemitério, agora para muitos deles, a festa da Sra da Azinheira resume-se à procissão das velas do dia 7.

De manhã houve a tradicional alvorada seguida da arruada pelas ruas da aldeia, a cargo da Banda Musical de Outeiro Seco. Seguiram-se depois as práticas religiosas, com missa e sermão e procissão, cujas práticas devido à extensão do percurso da procissão, termina a horas impróprias. Além de ser penosa devido à extensão do percurso, a sua chegada à igreja é também um pouco constrangedora, limitando-se apenas aos carregadores dos andores, ao padre, a Banda e aos pagadores de promessas, porquanto os acompanhantes vão ficando pelas suas casas. Estou certo que quando a procissão recolhe na igreja, alguns já terão já terminado o almoço.

Claro que o ponto alto da festa foi o seu arraial, em particular por causa do fogo, independente do programa paralelo que, não era de somenos importância.

No recinto de baixo estava o grupo de baile Arkádia, um dos melhores que passou por Outeiro Seco, com um vasto reportório que ia da música rock ao fado canção de Ana Moura.

No recinto de cima estavam as Bandas de Mateus – Vila Real e de Vilarandelo – Valpaços. A apreciação das bandas filarmónicas é sempre controverso. Desde logo, porque não existe uma grande cultura musical, razão porque a generalidade das pessoas, não aprecia tanto os temas de música mais elaborada, preferindo temas de música ligeira e de menor dificuldade de execução.

Quanto ao fogo-de-artifício a cargo dos conceituadíssimos Macedos, que frequentemente abrilhantam o fim de ano na Madeira e no Porto, apresentaram um espectáculo piromusical, um espetáculo pouco visto na região. Pena que muitos visitantes não reconheçam o esforço e o gasto com este evento, e não deixem a sua participação na mesa de oferendas da igreja.

Os parabéns à população de Outeiro Seco pela realização de mais uma festa da Sra da Azinheira e sobretudo aos seus comissários, com particular destaque para o Altino Rio e António José sobre quem recaiu a maioria dos encómios com esta organização.

 

publicado por Nuno Santos às 12:49

Muito boa noite, quero apenas aqui deixar neste meu comentário o seguinte: Sou de opinião que Outeiro Seco deve manter o dia 8 de Setembro como o dia da sua Padroeira e digo-te porquê. Em primeiro das diligências que já fiz ao longo de vários anos sempre se realizou no dia 8, apenas havia em outros tempos arraial de véspera. Depois deve ser uma das Romarias mais antigas do concelho, são vários documentos que atestam que desde a construção da igreja que pelos vistos se realiza, há até quem diga que funcionava como uma autentica feira, onde era frequentada por vários Espanhóis que vinham vender vários artigos, e pelos vitos no dia 8 todas as pessoas das aldeias á volta de
Outeiro Seco, se deslocavam para cumprir várias promessas, dizem esses documentos que eram as centenas, isto tudo pelos vários milagres que ela fazia. Sabemos também que foi uma festa que nunca teve grande ajuda dos imigrantes, e que ainda hoje menos terá. Há mesmo um documento de 1800 e tal que diz o seguinte; GRANDES CARROÇÔES DESLOCAVAM-SE DE CHAVES; COM DESTINO À ROMARIA DA SENHORA DA AZINHEIRA EM OUTEIRO SECO, COMPLETAMENTE ABARROTADOS DE PESSOAS: Além de várias outras razoes que poderiam ser expostas.
Cumprimentos
João Jacinto
Anónimo a 9 de Setembro de 2016 às 23:17

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