Outeiro Secano em Lisboa

Outubro 03 2014

Ficou cara a cegada desse ano ao Sr. Leonardo Faria, mas não foi pela paga aos segadores, porque esses, apenas receberam o que estava acordado. O pior foi o rombo que levou na pipa, porque ainda decorria o mês de Junho, e a próxima vindima, só seria dali a três meses.

Entre homens e mulheres o rancho compunha-se de dezoito a vinte elementos, uns eram segadores outros atadores, vindos dos lados do Barroso, sendo a primeira vez que o grupo segava na aldeia.

Como todos os ranchos tinham um capataz a quem o grupo obedecia, ora em chegando ao fim do eito, o capataz gritava em alta voz.

- Moca ao ar! Beinha o cloque.

De imediato o grupo se imobilizava, porque a frase era a senha para que o pipo de madeira de cinco litros, e com um buraco no centro bojudo, passasse de mão em mão. Passavam-lhe a manga da camisa pelo buraco, limpando a superfície molhada pelo companheiro anterior, elevando-o depois às bocas sequiosas, pelo calor abrasador desse tempo das segadas, escorrendo o líquido pelas gargantas fazendo o som, cloque, cloque, cloque.

O Leonardo costumava levar para a segada um garrafão de ola, com quase trinta litros, mas nesse dia, um dos seus filhos, teve que se montar na burra por mais de uma vez vindo à adega encher o garrafão, porque a frase mais ouvida era.

- Moca ao ar! Beinha o cloque.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 00:01

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Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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