Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 06 2014

Longe vai o dia 23 de Julho de 1966, nessa manhã tinha havido trabalhos em casa dos meus pais, já não me recordo bem qual foi a tarefa realizada, mas presumo ter sido a apanha de batatas. Era costume em casa dos meus pais, esses trabalhos serem comunitários, havendo por isso sempre muitos vizinhos a ajudar.

Recordo-me que depois do almoço, os homens em vez de cada um recolher às suas casas para dormirem a sesta, foram todos para nossa adega deitando-se em cima das canas de milho e o meu pai colocou o velho rádio Philips sobre uma das paredes do lagar, com o som bem alto, porque às 15 horas dava o relato do Portugal – Coreia do Norte.

Os portugueses andavam eufóricos, pois apesar de ser a primeira vez que estávamos numa fase final do campeonato do mundo, já tínhamos deixado para trás dois candidatos, a Hungria e o Brasil, de modo que apesar da Coreia do Norte ter eliminado a Itália, estávamos todos esperançados de que lhe ganharíamos facilmente.

Só que o futebol tem muitos imponderáveis e ao intervalo, Portugal perdia por 3-2. Apesar do vinho estar ali na pipa bastando rodar a torneira, a marcha do resultado não dava vontade a ninguém para comemorar.

Recomeçada a partida apareceu então uma estrela, não aquela que guiou os pastores ao presépio, mas o Eusébio que nos guiou à vitória, marcando quatro golos, o quinto foi marcado por José Augusto.

A alegria que nesse dia nos invadiu pelo feito de Eusébio, é a tristeza que hoje nos assola pela sua morte com apenas setenta e dois anos de idade. O Eusébio foi um desportista de eleição, apesar de a mim particularmente me ter causado alguns desgostos, quando marcava golos ao meu Sporting. Contudo desejo do fundo do coração que descanse em paz, e que a sua postura sirva de exemplo a todos quantos se reveem neste desporto, que é o futebol e o vivam com o desportivismo como ele o viveu, razão de ter sido tão querido em todo o mundo e num dado momento, juntamente com Amália, serem uma referência de Portugal no mundo.

A toda a família benfiquista, e muito em especial a sua família pessoal os meus sentidos pêsames.

 

publicado por Nuno Santos às 00:35

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Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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