Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 09 2015

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O espaço defronte ao nosso escritório na avenida 5 de outubro serviu mais uma vez de manisfetódromo, hoje para professores pais e alunos do ensino particular e corporativo, ligados às artes, os quais não recebem salários, há cerca de cinco meses.

Foi uma manifestação algo inédita porque antes dos discursos dos dirigentes sindicais, assistiu-se a um mini concerto dirigido pelo Maestro Vitorino de Almeida, também ele cliente da Nucase.

Havia vários cartazes com slogans bastantes criativos, ou não fossem os manifestantes dessa área. Entre outros havia um que dizia. “Um país sem artistas é um país de curtas vistas”.

De facto os nossos governantes têm tratado o ensino das artes, à semelhança do La Fontaine na fábula, “ A Cigarra e a Formiga” onde valoriza apenas o trabalho da formiga, menosprezando a da cigarra que, quando chegou o inverno e pediu apoio à formiga, esta disse-lhe:

- O que andaste a fazer durante o verão?

- A cantar para dar alegria e paz aos outros!

“Ai cantaste! Então dança agora!”

É também um pouco à desvalorização do trabalho artístico que, vamos assistindo no nosso país. Todos os anos quando chega a altura das chuvas, assistimos a reportagens do estado caótico em que se encontra o Conservatório de Lisboa. As mesmas críticas vêm de outros conservatórios e institutos, quer pelas condições degradadas das suas instalações, mas pela das carências de recursos, tanto a nível de pessoal docente, como não docente.

Em Portugal uma boa parte do ensino das artes, não faz parte da rede do ensino público, ele é co-financiado por Fundos Europeus como, o POPH – Programa Operacional Potencial Humano, que vem tarde, criando com isso um efeito cascata, atrasando os orçamentos de tesouraria das escolas, por isso o concerto de hoje terminou com o ACORDAI, do poeta José Gomes Ferreira e musicada por Fernão Lopes Graça, para ver se este país acorda da letargia em que caiu.

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

 

 

publicado por Nuno Santos às 18:52

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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