Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 23 2014

 

 

Episodio IX

 

Quando o atentimento ao público nos organismos oficiais ainda  não se fazia de forma electronica, o nosso serviço externo arranjava sempre uma maneira de furar o sistema. Esse privilégio agora tornou-se mais difícil, porquanto  somos obrigados a tirar uma senha, e depois ficar de olhos pregados no ecrã, esperando que apareça o nosso número, passando um tempo interminável, por vezes para entregar um simples documento.

Para que o nosso colega do serviço externo o Jorge Avito, utente diário desses serviços, tivesse um atendimento privilegiado, nesses serviços, quer fosse na Segurança Social nas Finanças, ou nas Conservatórias, no final do ano a Nucase procurava de algum modo, fazer uma descriminação positiva a esses funcionários.

Foi por essa razão que, já bem próximo do Natal, o Virgílio Alexandre chefe do Departamento do Serviço Externo, deixou no escritório do Rossio, já devidamente embalado um perfume, para que no dia seguinte o Jorge Avito o entregasse a uma funcionária do Registo Comercial, em jeito de agradecimento pelos seus bons préstimos.

Quando no dia seguinte o Jorge passou pelo escritório, tal como era sua rotina diária, mas desta vez, tambem para recolher o presente, este não estava no local, onde ficara no dia anterior. Foi um reboliço danado, pois toda a gente dizia não ter visto o perfume, senão, quando o Virgílio o deixara ali. Revirou-se o escritório mas o perfume não apareceu.

Como éramos mais de uma dezena de colegas, era complicado levantar suspeitas, pois todos éramos inocentes, até prova em contrário. E de facto, não se reuniu qualquer prova, não restando outra alternativa senão, comprar um novo perfume.

Na época trabalhava em Lisboa uma jovem, filha de um cliente da Nucase, mas residente na zona de Cascais. Algum tempo depois houve a oportunidade da sua transferência para a Parede, indo trabalhar na Nucase Gest com a Isabel Duarte, ficando assim mais próxima de casa.

Como a Isabel Duarte morava próximo do escritório, diariamente ia almoçar a casa, deixando despreocupadamente a sua mala no escritório. Ainda que vivesse com algum desafogo financeiro, a Isabel apercebeu-se que o seu cartão do multibanco registava levantamentos, dos quais não se lembrava de ter efectuado, levando-a a supor que, alguém andava a  usar o seu cartão.

Perante essa desconfiança participou a ocorrência à PSP, que, numa breve averiguação, constataram que os movimentos ocorriam sempre à hora do almoço, a maioria deles, no Jumbo de Cascais.

Visionado o sistema de vídeo vigilância do Jumbo, às horas em que o cartão fora movimentado, verificaram que a sua utilizadora, era precisamente a colaboradora transferida de Lisboa. Interrogada pela polícia confessou de imediato a utilização do cartão, assim como o roubo do perfume no escritório de Lisboa.

Perante os factos, foi-lhe sugerido que apresentasse a sua demissão, para não ferir assim mais susceptibilidades. Por indagar ficou se estaríamos perante uma situação de maus costumes, ou de uma doente de cleptomania.

publicado por Nuno Santos às 07:19

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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