Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 05 2014

Hoje senti que a canção do Sérgio Godinho “ A paz o pão a educação e saúde” continua a fazer todo o sentido, como uma canção de intervenção e de protesto, porquanto o direito à saúde continua a ter muitas restrições, em algumas zonas do país, nomeadamente em Chaves.

Chegados ontem de Lisboa para passarmos a festa da Sra. Da Azinheira, hoje logo às oito da manhã já estávamos no hospital de Chaves com a minha sogra, a fim dela fazer a recolha de sangue para análises.

Confesso que o serviço deste hospital não me traz gratas recordações. Em 2004 faleceu aqui o meu pai, na sequência de uma cirurgia ortopédica. Segundo a opinião da equipa operadora a cirurgia até correu bem e com efeito, ao terceiro dia já se movimentava sozinho pelos corredores, só que ao quarto dia, vá lá saber-se porquê, apanhou uma infeção generalizada tendo falecido ao sétimo dia.

Hoje fomos confrontados com o facto não haver no hospital um único técnico, para fazer a recolha de sangue para as análises. Acontece que a minha sogra já tem 87 anos anos, e o simples facto de ter de ir ao hospital fazer análises, uma coisa rotineira para qualquer pessoa mais nova, para ela fez com que já não dormisse, e o mesmo irá acontecer em 19 de setembro, a data para a qual marcaram a nova recolha.

O que torna isso mais revoltante é que tenho uma sobrinha com o curso de analista, o estágio feito no Hospital de Santos António do Porto, e que já esteve durante dois períodos de tempo a trabalhar gratuitamente no Hospital de Chaves. Atualmente está em casa dos pais sem trabalho, porque o hospital nem a gasolina lhe pagava.

Como é possível que um hospital que já teve a designação de Hospital Central, não tenha em serviço permanente, um técnico para fazer recolha de sangue? O caso da minha sogra era uma situação de rotina, mas se fosse uma situação de emergência como se tratava? Será que fica mais barato a deslocalização do serviço? E qual a preocupação com a comodidade de pessoas com 87 anos e mais, para fazerem mais de 100 quilómetros, apenas para fazer uma recolha de sangue?

Há um ditado chinês que diz que “as folhas voltam sempre às raízes” mas também se diz que “a nossa terra é onde nos tratam bem” e confesso que cada vez mais estou a ficar mais partidário do segundo, onde sou bem melhor tratado.

 

publicado por Nuno Santos às 13:46

Nota - Sem querer deixar de salientar a perda de qualidade dos serviços do Hospital de Chaves, quero porém dizer que quando escrevi este post, desconhecia a existência nesse dia, de uma greve dos enfermeiros, razão principal pela qual não havia ninguém ao serviço. Ora se foi essa a causa fico mais conformado, porquanto as greves fazem-se para criar desconforto no sistema, de modo a que os responsáveis criem as condições ideais para que não haja a necessidade de recorrer às greves.
Nuno Santos
Nuno Santos a 7 de Setembro de 2014 às 09:03

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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