Outeiro Secano em Lisboa

Maio 18 2014

A Celeste viveu ontem um momento muito emotivo ao regressar a Fanhões, um lugar onde foi professora durante dezanove anos e onde foi muito feliz, num tempo em que os professores eram mais reconhecidos pela sociedade e tinham maior brio na sua profissão. Não quero dizer que agora, não haja professores com brio profissional, mas a carga administrativa e burocrática que lhe impuseram, retirou-lhes o tempo e o gosto para outras actividades que, no entender da classe, não lhe acrescenta valor.

Tudo começou quando postou com alguma nostalgia no Facebook a fotografia de uma classe, os quais tinham sido seus alunos, na década de oitenta. A foto gerou logo alguma curiosidade e vários comentários, nascendo daí o convite para estarmos presentes ontem num espectáculo, porque vários dos artistas participantes, tinham pisado pela primeira vez o palco, enquanto seus alunos e sob a sua direcção.

Ainda com outra coincidência, o palco era o mesmo, o salão nobre do Bombeiros de Fanhões recentemente requalificado, demonstrando bem a dinâmica daquela terra.

Fanhões é uma freguesia do concelho de Loures que dista de Lisboa, a menos de vinte quilómetros.

Apesar de ter apenas cerca de dois mil e oitocentos habitantes, teve desde sempre uma grande dinâmica, a tal ponto que dispôs de uma corporação de bombeiros, primeiro do que a sede do concelho. Tem ainda um Banda Filarmónica já centenária, um grupo cénico e um clube de futebol que, chegou a militar nos campeonatos nacionais. O Eduardo Cruz da nossa aldeia e o Óscar da cidade mas que vive actualmente em Bragança, chegaram a representar este clube.

O espectáculo dividiu-se em duas partes, a primeira teve a representação da opereta Flor do Campo, e a segunda uma sessão de variedades. Esta opereta já foi representada nesta aldeia por três vezes, mas com intervalos quase de quarenta anos, um pouco à semelhança do nosso Auto da Paixão e do Ramo. Torna-se por isso curioso ofacto de actores que há quarenta anos fizeram os papeis de filhos, o façam agora de pais.

De salientar que o suporte musical tanto da opereta como das variedades, foi feito em directo por uma orquestra de onze músicos, todos eles membros da Banda Filarmónica, regidos pelo senhor Manuel Barbosa, um dos maiores dinamizadores culturais da aldeia e nosso amigo de longa data.

Curioso que  muitas vezes dou por mim a fazer comparações, entre aquilo que se faz em Fanhões e em Outeiro Seco, porque ambas as terras têm muitas semelhanças ao nível das suas potencialidades intrínsecas, diferindo apenas em espírito de unidade e dinamismo.

Embora nunca o tivesse divulgado, há muitos anos que acalento o sonho da geminação de Outeiro Seco com Fanhões, uma forma de troca de experiências de vida entre duas terras que, têm em comum o facto de serem periféricas às sedes do concelho, terem ambas um passado cultural rico e deste modo, trocarem sinergias que, seriam positivas para ambas as freguesias.

Infelizmente a conjuntura não é a ideal, mas quem sabe num futuro próximo, até porque já organizamos dois encontros de outeiro secanos no Parque de Montachique, o qual pertence à freguesia de Fanhões.

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:36

tá aí um assunto que me prendeu a atenção
como é rever lugares onde passamos e por certo fomos felizes
parabéns celeste e ao narrador tabém abraço
vasco sobreira garcia a 18 de Maio de 2014 às 22:51

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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